terça-feira, 22 de junho de 2010

Seminário: Novas formas de sociabilidade: Sociedade em rede e a emergência do pós-humano

Temos a honra de convidá-lo para assistir Seminário Novas formas de sociabilidade: sociedade em rede e a emergência do pós-humano que contará com a participação de Thiago Novaes (Unicamp), Bruno Rogens (UFMA) e Roosewelt Lins (UFMA), será realizado no dia 24 de junho, as 15h no laboratório de informática IV do Centro de Ciências Sociais da UFMA. A paticipação é aberta e gratuita, com direito a certificado.



Sobre o seminário



O Seminário "Novas formas de sociabilidade: sociedade em rede e a emergência do pós-humano" busca discutir as formas de sociabilidade na contemporaneidade, tomando como base a crise da propriedade e o poder descentralizador das tecnologias informacionais e sua relação com o corpo, a imagem e a política O evento é aberto ao público interessado em um debate crítico que envolve acesso aos bens comuns, propriedade intelectual e tecnologias colaborativas.



Apresentador



Thiago Noaves (blogs.metareciclagem.org/novaes/) é bacharel em Ciência Política, coordenou em 2005 a implementação dos Pontos de Cultura Digital junto ao Ministério da Cultura, integrando a Coordenação do Projeto Casa Brasil em 2006. Trabalhou de 2002 a 2004 como pesquisador na Diretoria de TV Digital do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (CPqD), responsável por serviços interativos e audiovisual. Atua há 10 anos em pesquisa e implementação de rádios de baixa potência, tendo publicado traduções e artigos sobre o tema. Atualmente cursa o mestrado em Antropologia pós-Social na UNICAMP, investigando a relação humano-técnica e os rumos que o direito autoral e a propriedade intelectual estão tomando. É integrande do coletivo (Des)Centro. que desenvolve ações descentralizadas e colaborativas de produção cultural e transformação social com base na apropriação crítica de mídias.



Debatedor

Bruno Rogens (mrrogens.blogspot.com) é sociólogo e mestre em Ciências Sociais. Trabalha com ensino e pesquisa no campo da Sociologia da Informação, atuando principalmente nos seguintes temas: Epistemologia das Ciências Humanas, Cultura Popular, Inclusão digital, Propriedade Intelectual e Software Livre. Foi professor de sociologia no IFET-MA, é integrante do Projeto Software Livre Maranhão, Membro do Fórum Municipal de Juventudes de São Luís e professor do Departamento de Sociologia e Antropologia da UFMA.

Moderador


Roosewelt Lins (roosewelt.com) é bibliotecário e mestre em Ciências da Computação. Têm experiência em ensino e pesquisa em tecnologias livres. Foi professor da UFC e trabalhou em projetos ligados a informática educativa e bibliotecas comunitárias. Vem incentivando o uso de softwares livres em bibliotecas desde 2004, através de oficinas, palestras, publicações e implementação de projetos. Atualmente é professor do Departamento de Biblioteconomia da UFMA, integrante do Projeto Software Livre Maranhão, e da comunidade EstudioLivre.org e desenvolve projetos voltados a apropriação social de tecnologias livres e intervenções culturais em organizações sociais.

domingo, 20 de junho de 2010

Fome de coerência: o gesto de Manoel da Conceição





Wagner Cabral da Costa*


“Os valores do PT não podem ser negociados. Devem ser reafirmados como princípios da reconstrução partidária e ideal dos movimentos sociais” (Manoel da Conceição).


            Muito tem se falado sobre a greve de fome, iniciada em 11 de junho, do fundador do PT, Manoel da Conceição, do deputado Domingos Dutra e da ex-deputada Terezinha Fernandes, contra a intervenção do Diretório Nacional que revogou a decisão estadual de apoiar Flávio Dino (PCdoB) para governador do Maranhão, aprovando, em substituição, o nome de Roseana Sarney (PMDB). Parcela expressiva da opinião pública e da imprensa tomou contato (quase) pela primeira vez com a pessoa de Manoel da Conceição. Afinal, quem seria esse “desconhecido”, esse Mané, que ousou desafiar, em gesto radical, a direção do partido no poder e a Presidência, em mais uma capitulação cínica diante da mais velha oligarquia da República?
            Filho de lavradores do vale do rio Itapecuru, Manoel vivenciou experiências que lhe propiciaram uma sólida convicção ética, humanista e socialista, de dedicação à causa dos trabalhadores. A começar, ainda na juventude, pela expulsão de sua família por proprietários rurais, violência presenciada ainda em inúmeros outros massacres; depois, a migração em busca de “terra liberta”; a crença evangélica e o início da militância; o envolvimento com o Movimento de Educação de Base (MEB), ligado à Igreja progressista; o engajamento na Ação Popular (AP) e a luta pelas Reformas de Base; até o golpe de 1964, quando sofreu as primeiras prisões.
            Durante a ditadura militar, Mané se dedicou à organização e educação de trabalhadores rurais na região do rio Pindaré em sua luta contra o latifúndio e pela conquista da terra. Foi alvo de violenta repressão da polícia militar do governo José Sarney (1966-70), sendo baleado e preso em julho de 1968, ocasião em que teve parte da perna direita amputada por falta de atendimento médico. Na seqüência, foi preso pela polícia política (1972) e dado como “desaparecido”, quando foi submetido a sessões de interrogatório e tortura, sendo solto graças à intervenção da AP e da Anistia Internacional. Liberdade breve, pois, mais uma vez, os militares o prenderam, desta vez em São Paulo, com mais torturas e sevícias (1975). Novamente a solidariedade – da Anistia e das Igrejas católica e protestante – conseguiu resgatá-lo das mãos assassinas da ditadura, com o que Manoel partiu para a Suíça (1976), onde permaneceu até a decretação da Lei da Anistia (1979).
            No exílio, lançou o livro-denúncia Essa terra é nossa, contando sua história de luta pela reforma agrária e de resistência à ditadura, uma leitura necessária e fundamental para compreender os “anos de chumbo”. Livro que acaba de ser reeditado pela UFMG (com o título: Chão de minha utopia), através do Projeto República, com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). A ironia não podia ser mais evidente: o mesmo governo petista que, por um lado, promove o resgate de sua memória e história; por outro, lhe recusa o direito de, aos 75 anos, continuar sendo um militante ativo das lutas sociais e políticas – defendendo a democracia interna do partido e a democratização do Maranhão contra a oligarquia patrimonial e golpista. Que resposta obteve Manoel após lançar duas cartas abertas ao companheiro e presidente Lula?
            Esse silêncio, no entanto, inexistia em fevereiro de 1980. Pois, na fundação do Partido dos Trabalhadores se pretendeu vinculá-lo organicamente às diversas tradições de luta do povo brasileiro, sendo convidados seis signatários que representavam simbolicamente essas vertentes da esquerda: 1) Mário Pedrosa, escritor, crítico e líder socialista; 2) Manoel da Conceição, líder camponês; 3) Sérgio Buarque de Holanda, historiador; 4) Lélia Abramo, do Sindicato dos Artistas de SP; 5) Moacir Gadoti, que assinou em nome do educador Paulo Freire; e 6) Apolônio de Carvalho, combatente na Guerra Civil Espanhola e na Resistência Francesa, um dos líderes dos movimentos da resistência popular (Ata da reunião no Colégio Sion – site da Fundação Perseu Abramo).
            Dos personagens-símbolo da identidade e dos valores do PT, o único que permanece vivo é Manoel da Conceição Santos, marido amoroso, pai e avô dedicado, brasileiro nascido em 1935 no distrito de Pirapemas, em Coroatá, Maranhão. Era esse “desconhecido”, esse Mané, que se encontrava em greve de fome no plenário da Câmara dos Deputados. Por cima de quantos cadáveres (reais e simbólicos) o PT terá que passar em seu processo de transformação em Partido da Ordem?

Ps.: Poucas horas após o fechamento deste artigo, Manoel da Conceição e Domingos Dutra foram internados inconscientes em Brasília, com risco de vida. A situação forçou o Diretório Nacional do PT a fazer um acordo pelo qual os petistas maranhenses ficaram liberados de apoiar a oligarquia Sarney e ter campanha independente em favor de Flávio Dino. Este acordo encerrou a greve de fome, após uma semana, em 18 de junho de 2010, continuando ambos sob cuidados médicos.





* Wagner Cabral da Costa é Historiador e professor da UFMA. Autor de “Sob o signo da morte: o poder oligárquico de Vitorino a Sarney” (2006); co-organizador de “A terceira margem do rio: ensaios sobre a realidade do Maranhão no novo milênio” (2009). Este artigo foi publicado no jornal O Estado de São Paulo, suplemento Aliás, domingo, 20 de junho de 2010.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Líder indígena é presa pela Polícia Federal

 Na foto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva segura bebê de dois meses
de Glicéria Tupinambá. Glicéria participou da 13ª Reunião da Comissão
Nacional de Política Indigenista (CNPI), ocasião em que expôs as violências
sofridas por seu povo. Foto: Secretaria de Imprensa / Ricardo Stuckert / PR.
*POLÍCIA FEDERAL PRENDE MÃE E BEBÊ TUPINAMBÁ*
A Polícia Federal prendeu na tarde de hoje, feriado de Corpus Christi, a
índia Glicéria Tupinambá e seu filho de apenas (02) dois meses. Glicéria é
liderança de seu povo e membro da Comissão Nacional de Política Indigenista
– CNPI. Vinculada ao Ministério da Justiça, a CNPI tem entre seus
integrantes representantes de 12 ministérios, 20 lideranças indígenas e dois
representantes de entidades indigenistas. Na tarde de ontem, 2 de junho,
Glicéria participou da reunião da CNPI com o Presidente Lula, oportunidade
em que denunciou as perseguições de que as lideranças Tupinambá têm sido
vítimas por parte da Polícia Federal no Sul da Bahia.
No dia seguinte, quando tentava retornar para sua aldeia, Glicéria – tendo
ao colo o seu bebê de dois meses – foi detida ao descer do avião, ainda na
pista de pouso do aeroporto de Ilhéus (BA), e diante dos demais passageiros,
por três agentes da Polícia Federal, numa intenção clara de constrangê-la. O
episódio foi testemunhado por Luis Titiah, liderança Pataxó Hã-hã-hãe,
também membro da CNPI, que a acompanhava.
Após ser interrogada durante toda a tarde na sede Polícia Federal em Ilhéus,
sempre com o bebê ao colo, Glicéria recebeu voz de prisão da delega Denise
ao deixar as dependências do órgão. Segundo informações ainda não
confirmadas, a prisão foi decretada pelo juiz Antonio Hygino, da Comarca de
Buerarema (BA), sob a alegação de Glicéria ter participado no seqüestro de
um veículo da META (empresa que presta serviço de energia na região). Esse
juiz em entrevista concedida ao repórter Fábio Roberto para um jornal da
região, se referiu aos Tupinambá como “pessoas que se dizem índios”. Mãe e
filho serão transferidos para um presídio na cidade de Jequié, distante
cerca de 200km de sua aldeia.
Desde que a FUNAI iniciou o processo de demarcação da Terra indígena
Tupinambá as fazendas invasoras da terra indígena passaram a contratar
pistoleiros, fazendeiros dos municípios de Ilhéus e Buerarema iniciaram
campanhas difamatórias nas rádios e jornais locais, incitando a população
regional contra os índios, o que resultou numa série de conflitos envolvendo
pistoleiros, fazendeiros e indígenas. Como conseqüência da disputa pela
posse da terra os Tupinambá respondem a uma série de inquéritos e processos
criminais patrocinados pela Polícia Federal, numa estratégia clara de
criminalização de sua luta legítima em defesa de seu território tradicional.
Em decorrência dessa ofensiva de criminalização já estão presos os indígenas
Rosivaldo (conhecido como cacique Babau) e Givaldo, irmãos de Glicéria que
passa a ser terceira presa política Tupinambá.
A animosidade nutrida pela Polícia Federal em relação aos Tupinambá já se
tornou crônica.  No dia 23 de outubro de 2008, numa ação extremamente
agressiva, a PF atacou a comunidade indígena da Serra do Padeiro, deixando
14 Tupinambá feridos à bala de borracha, destruiu casas e veículos da
comunidade, a escola indígena e seus equipamentos, e ainda deteriorou a
merenda escolar. Dois Tupinambá foram presos na ocasião. Em junho de 2009,
após outra ação de agentes da PF juntamente com fazendeiros - numa ação de
reintegração de posse -, sinais de tortura em cinco Tupinambá ficaram
comprovados por exames de corpo de delito realizados no Instituto Médico
Legal do Distrito Federal. O inquérito, levado a cabo pelo mesmo delegado
que coordenou a ação dos agentes, concluiu entretanto pela inocorrência de
tortura. Nenhum dos agentes foi afastado durante ou após as investigações.
No dia 10 de março de 2010, numa ação irregular, a Polícia Federal invadiu a
residência do cacique Babau em horário noturno (duas horas da madrugada),
destruindo móveis e utilizando extrema força física para imobilizar o
Cacique, que acreditava estar diante de pistoleiros, pois os agentes estavam
camuflados, com os rostos pintados de preto, não se identificaram e não
apresentaram mandado de prisão, além de proferir ameaças e xingamentos.
O Conselho Indigenista Missionário, preocupado com a integridade física e
psicológica de Glicéria e seu filho, vem a público manifestar mais uma vez o
seu repúdio ao tratamento dispensado por órgãos policiais e judiciais ao
Povo Tupinambá. Reafirma seu compromisso em continuar apoiando a luta justa
do povo pela demarcação de seu território tradicional e conclama a sociedade
nacional e internacional a se manifestar em defesa da causa Tupinambá e pela
imediata libertação de seus líderes.
Brasília, 3 de junho de 2010.
*Conselho Indigenista Missionário – Cimi***

domingo, 30 de maio de 2010

10% de expansão da banda larga representa crescimento de 1,4% do PIB


 | 12:31
28/05/2010

Plano de Banda Larga amplia cidadania e fortalece economia, diz líder do PT

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O líder do PT na Câmara, Fernando Ferro (PE), ressaltou hoje (28) a importância do Plano Nacional de Banda Larga do governo Lula.

O PNBL vai assegurar a inclusão digital, com acesso rápido e barato em milhares de municípios brasileiros. Milhões de pessoas terão acesso à rede mundial de computadores, quebrando a resistências das operadoras privadas à expansão do serviço e à diminuição das tarifas, que está entre as mais caras do planeta.

A participação do estado no setor vai fortalecer a economia brasileira e ampliar a cidadania, disse Ferro. Conforme o líder, em razão do modelo ainda herdado do governo FHC, que privatizou as telecomunicações do País e instituiu um sistema oligopolizado com as tarifas estratosféricas, criou-se uma espécie de muro entre a população e a banda larga. No Brasil, como porcentagem da renda familiar, banda larga custa dez vezes mais do que nos países mais conectados. Além disso, o Brasil só vem regredindo no tocante à conectividade.
" Nos últimos 10 anos, perdemos 20 posições entre as nações com maior conectividade e acessibilidade às mídias digitais", disse o líder. Ele insistiu que as operadoras privadas têm culpa no atraso tecnológico no setor, uma vez que não respeitaram os contratos relativos à expansão do sistema. "As operadoras fixas de telecomunicação não responderam, não se interessaram em promover um programa de acesso à banda larga para a população. Mais da metade dos nossos municípios não têm banda larga, e somente 20% dos nossos lares conseguem acesso a ela".
Velocidade
Na avaliação de Ferro, os dados mostram claramente a importância da participação do Estado no setor, pois evidenciam que os interesses de mercado são insuficientes para tratar do tema. "Além disso-- acrescentou - uma boa parte da internet que temos é de qualidade e velocidade baixas, consequentemente, de eficiência duvidosa. Nós estamos, portanto, atrasados. Outros países evoluíram muito nesse processo e, quinze anos depois da privatização, não temos nada a comemorar nessa área, porque estamos engatinhando no acesso a essa capacidade".
O líder observou que o Plano Nacional de Banda Larga vai prover, até o fim do ano, o acesso ao serviço de conectividade de alta velocidade a cerca de 65 mil escolas públicas. "Nós integraremos alunos e professores para qualificar os jovens nos seus estudos e nos processos de melhoria de requalificação dos nossos professores", completou Ferro.
O líder citou um artigo de Sílvio Meira, um dos maiores especialistas brasileiros do setor, no qual mostra que desde os primórdios da internet antevia-se a necessidade de impulsionar ao máximo a quantidade e a qualidade da infraestrutura digital. O mundo conectado vive, intensamente, a sociedade e a economia da informação e do conhecimento, e estar fora da rede significa estar fora do mundo, diz Meira. No Brasil, desde a década de 90, previa-se- mas a universalização do acesso e sabia-se que a rede tornar-se-ia uma infraestrutura básica, essencial á população. Mas nada disso ocorreu.
Como lembrou Ferro, as empresas do setor concentraram-se em municípios mais lucrativos, conforme estudos de uma das operadoras da área. Segundo o estudo, a banda larga só gera lucro para as companhias privadas em 184 dos 5.564 municípios brasileiros. Nesses 184 municípios vivem 83 milhões de brasileiros, menos da metade da população do país. A banda larga só existe em cerca de 21% dos lares. Como se não bastasse, mais de 54% das conexões "de banda larga" do País têm velocidades nominais abaixo de um megabit por segundo.
Sílvio Meira observa que o conceito -hoje universal- de tratar telefonia e telefones como apenas mais uma aplicação sobre uma infraestrutura (servidores, roteadores, satélites...) e serviços (os protocolos da rede) padrão da internet tem quase década e meia. Mas o Brasil ainda está no estágio de penetração e uso de banda larga . "A razão fundamental é que o Brasil não teve, na última década e meia, políticas públicas que cuidassem de conectar o país na quantidade e na qualidade que precisamos", daí a importância do PNBL.
Ferro assinalou, ainda com base no artigo de Meira, que o estágio atual torna muito difícil educação, saúde e negócios pela rede, entre outras tantas coisas que existem e são usadas, como fato consumado, mundo afora. O PNBL, na prática, pode se tornar um novo "plano de integração nacional" e seu papel pode ser muito parecido ao das estradas e TVs no passado, ao trazer para a rede mais da metade dos municípios e 70%, 80% das casas. Um recente estudo do Banco Mundial, feito em 120 países durante os anos de 1980 a 2006, mostrou que a cada 10% de expansão da banda larga, o PIB cresce 1,4%.
Liderança do PT / Câmara (www.ptnacamara.org.br)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Dirigentes do PT do maranhão se pronunciam sobre tentativa de manobra golpista de parte da CNB-Ma pró-sarney



COMUNICADO

Considerando as informações veiculadas no jornal O Estado do Maranhão, edição de 17.05.10, de suposto apoio do PT à candidatura de Roseana Sarney, comunicamos que:

a)                o PT já decidiu em Encontro Estadual, instância máxima de deliberação do partido, coligar com o PCdoB e PSB e apoiar a candidatura de Flávio Dino ao governo do Estado do Maranhão;

b)                a reunião organizada pelo grupo de Washington com Roseana Sarney não traduz a decisão do PT, mas apenas a do grupo, que se nega a acatar a decisão do Encontro Estadual;

c)                 esta é a quinta tentativa do grupo de Washington contra a decisão do Encontro de Tática Eleitoral, numa atitude de profundo desrespeito às instâncias partidárias e ao próprio regimento interno do PT;

d)                o grupo de Washington já apresentou recursos à direção nacional, pediu intervenção no Maranhão, defendeu a retirada da candidatura de Flávio Dino, propôs a revisão da decisão anterior em novo encontro e, agora, quer substituir o encontro do PT por reunião de tendência e abaixo assinado;

e)                vamos informar a direção nacional do PT o que está acontecendo no Estado do Maranhão e solicitar que esta instância partidária faça respeitar as normas partidárias e a decisão do Encontro Estadual;

Para consolidar as conquistas do governo Lula, o PT decidiu em encontro unificar o campo democrático e popular em torno da candidatura Dilma à Presidência da República e Flávio Dino ao governo do Maranhão, com o apoio dos movimentos sociais.

ESTA ESTRELA É NOSSA!

São Luís, 17 de maio de 2010.

Augusto Lobato
Vice-presidente do PT

Bira do Pindaré
Secretário de Organização

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Os donos do Poder... e da mídia também


As dinastias midiáticas estão em crise

Escrito em março de 2008, o artigo do sociólogo Emir Sader ficou ainda mais atual. Reproduzo o texto e acrescento o mais recente levantamento do projeto “Os donos da mídia”:

Na imprensa brasileira mandam as dinastias estamentais. Os pais proprietários entregam a direção dos jornais, das revistas, das rádios e das televisões – das suas empresas – aos seus filhos, que repassam para os netos, perseverando todos no direito que se auto-atribuíram de decidir quem é e quem não é democrático, quem fala e quem não fala em nome da nação!

Assim tem sido ao longo de toda a história da imprensa no Brasil. No momento mais decisivo da história do século XX, em 1964, essas dinastias pregaram e apoiaram o golpe militar, assim como a instalação de uma longa ditadura, que mudou decisivamente os rumos do nosso país. Enquanto os militares intervinham nos poderes Judiciário e Legislativo, enquanto suspendiam todas as garantias constitucionais, enquanto fechavam todos órgãos de imprensa que discordaram do golpe e da ditadura, enquanto a maior repressão da nossa história recente se abatia sobre milhares de brasileiros presos, torturados, exilados e mortos, enquanto isso, as dinastias da imprensa mercantil se calaram sobre a repressão e apoiaram o regime militar!

Eram estes mesmos Mesquitas, Frias, Marinhos, Civitas, estes mesmos que transmitem por herança – como se fosse um bem privado – seu poder dinástico, transferindo-o para os seus filhos e netos. Os júlios, os otávios, os robertos, os victor, vão se sucedendo uns aos outros, a dinastia vai se perpetuando. Que se danem a democracia e o país, mas que se salvem as dinastias!

Mas, hoje, elas estão vendo seu poder se esvaindo pelos dedos. Conta-se que um desses herdeiros, rodando em torno da mesa da reunião do conselho editorial, herdada do pai, esbravejava irado: “onde foi que nós erramos? onde erramos?”. Estava desesperado porque a operação “mensalão” não conseguiu derrubar Lula elegendo o tucano, da sua preferência.

Se ele tivesse olhado os gráficos escondidos na sua sala, teria visto que, nos últimos dez anos, as tiragens dos jornais despencaram. A Folha de São Paulo, por exemplo, que é um dos de maior tiragem, perdeu em 10 anos, de 1997 a 2007, quase cinqüenta por cento dos seus leitores! Depois de quase ter atingido 600 mil leitores, vai fechar o ano de 2008 com menos de 300 mil! Uma queda ainda mais grave se considerarmos que, nesse período, houve crescimento demográfico, aumento do poder aquisitivo, maior interesse pela informação e elevação do índice de escolaridade dos brasileiros.

Os leitores deste jornal de direita estão entre os mais ricos da população. Noventa por cento dos seus menos de 300 mil exemplares são destinados aos leitores das classes A e B, as mesmas que não atingem dezoito por cento da população brasileira. Em outros termos, nove entre cada dez leitores do jornal pertencem aos setores de maior poder aquisitivo e suas condições de vida estão a léguas de distância das do nosso povo – esse povo que gosta do programa bolsa família, dos territórios de cidadania, da eletrificação rural, dos mini-créditos, do aumento real do salário mínimo, da elevação do emprego formal, etc.

A última e mais recente pesquisa sobre o apoio ao governo Lula, que a imprensa dinástica procurou esconder, realizada pela Sensus, revela que Lula é rejeitado por apenas treze por cento dos brasileiros! É essa ínfima minoria, cinco vezes menor do que aquela dos que apóiam o governo Lula, que povoa os editoriais dessa imprensa, suas colunas, seus painéis de cartas dos leitores! Esse é o índice da influência real que a mídia mercantil – juntando televisão, rádio, jornais, revistas, internets, blogs – tem! Apesar de todos os instrumentos monopólicos de que dispõem, apesar das campanhas diárias para dominar a opinião pública, não conseguem nada além desse pífio resultado dos treze por cento que representam!

As dinastias podem continuar a ter filhos, netos e bisnetos, mas é possível que já não dirijam jornais. Esta pode ser a última geração de jornalistas dinásticos que, talvez exatamente por isso, revelam diariamente o desespero da sua impotência, assumindo o mesmo papel que ocuparam nos anos prévios a 1964. É o mesmo desespero da direita diante da popularidade de um Getúlio e do governo Jango. Nos dois casos, só lhes restou apelar à intervenção das Forças Armadas e dos EUA, estes mesmos EUA que nunca fizeram autocrítica, nem desta nem de qualquer outra das suas intervenções contrárias à democracia da qual pretendem ser os arautos! Depois de terem pedido e apoiado o golpe militar, porque ainda acreditam que podem dizer quem é democrático e quem não é?


Os donos da mídia no Brasil

Grupo 1:

No primeiro grupo, os cabeças-de-rede são as famílias que controlam as redes de nacionais de comunicação, de TVs, rádios, e jornais de circulação nacional.

- Organizações Globo - Família Marinho

- Rede Record-Igreja Universal - Edir Macedo

- Sistema Bandeirantes de Comunicação - Família Saad

- Sistema Brasileiro de Televisão-SBT - Silvio Santos

- Grupo O Estado de São Paulo (Estadão) - Família Mesquita

- Grupo Folha - Família Frias

- Grupo Abril - Família Civita (responsável por 70% do mercado de revistas do país, incluindo a Veja).

É importante ressaltar que alguns desses grupos possuem também portais na internet e agências de notícias (exemplo: UOL, da Folha; globo.com; Agência Estado; Agência Globo).

Grupo 2:

O segundo grupo de donos da mídia é composto por grupos nacionais e regionais com presença econômica expressiva e alguns fortes grupos regionais. Entre estes grupos estão:

- Grupo RBS - Família Sirostski no Rio Grande do Sul;

- Organizações Jaime Câmara - Goiás e Tocantins

- Jornal do Brasil (*);

- Gazeta Mercantil (**).

Grupo 3:

O terceiro grupo é composto por grupos regionais de afiliados às redes nacionais de TV. Neste grupo estão presentes as oligarquias regionais que, obviamente, controlam tanto o poder econômico, quanto o político. Outra questão importante a ressaltar é que, embora vinculados às redes nacionais de TV, esses grupos locais controlam todo o sistema de comunicação regional por meio de inúmeras rádios e jornais. Exemplos em alguns estados:

- Ceará - Família Jereissati (do senador Tasso Jereissati - PSDB)

- Rio Grande do Norte:

- Família Maia (do senador Jose Agripino Maia - DEM);

- Família Alves (do senador Garibaldi Alves Filho - PMDB);

- Bahia - Família Magalhães (do deputado ACM Neto - DEM);

- Maranhão - Família Sarney (do senador José Sarney - PMDB);

- Alagoas - Família Collor (do senador Fernando Collor de Mello - PRTB);

- Sergipe - Família Franco (do senador Albano Franco - PSDB)

- Pará - Família Pires (do deputado Vic Pires - DEM).

Grupo 4:

O quarto grupo é composto por pequenos grupos regionais de TV, rádio e jornais ou ainda por veículos de pequena participação no mercado de mídia, mas que muitas vezes são apêndices de fortes grupos que atuam em outros ramos da economia. Um bom exemplo dessa situação é a TV Brasília, que durante bom tempo foi propriedade do Grupo Paulo Octávio. Ou seja, os pequenos grupos de mídia estão também, em sua maioria, sob controle do poder local. É por isso que nos municípios do interior do país, o dono da rádio local é também o chefe político municipal.

(*) Jornal do Brasil:

O Jornal do Brasil é publicado na cidade do Rio de Janeiro e atualmente pertence ao empresário Nelson Tanure, do grupo Docas Investimentos, que também administra a revista Forbes no Brasil e agência de notícias InvestNews. É tradicionalmente voltado para uma elite diminuta da classe alta que se concentra na Zona Sul do Rio de Janeiro e que se pretende formadora de opinião a nível nacional.

(**) Gazeta Mercantil:

Apesar de haver fechado em maio de 2009, o jornal Gazeta Mercantil continua sob o controle acionário do grupo Docas Investimentos, do empresário Nelson Tanure, e conta com uma redação unificada com os demais produtos jornalísticos da empresa (JB, a Forbes e a agência de notícias InvestNews).

Histórico: A crise que deflagrou na transferência do controle acionário da família Levy para Nelson Tanure ocorreu no final da década de 90 e início dos anos 2000. Após anos de liderança absoluta no mercado, as contas da empresa se deterioraram e, ao mesmo tempo, a direção do jornal decidiu ampliar as áreas de atuação, com investimentos em internet e televisão.

As novas áreas contaram com parceiros que foram a Portugal Telecom, antiga controladora da Telesp Celular - atualmente Vivo, na web e a TV Bandeirantes e a TV Gazeta, controlada pela Fundação Cásper Líbero, na televisão. O jornal passou pela crise e uma drástica reestruturação nos últimos anos. Tinha uma tiragem de 70 mil exemplares de acordo com levantamento do IVC de julho/2007.

Em 25 de maio de 2009, Nelson Tanure anunciou que devolveria a administração do jornal aos proprietários anteriores, não se responsabilizando mais pela publicação a partir de 1 de junho. Alegou que herdou dívidas de mais de 200 milhões de reais em processos trabalhistas. Dessa forma, a última edição do jornal foi a de 29 de maio de 2009. O grupo português Ongoing negou interesse em comprar o jornal "porque o título tem uma dívida muito grande", mas animou-se com a possibilidade de ingressar na imprensa econômica brasileira, aproveitando o vácuo deixado pela interrupção. O grupo Ongoing estreou o jornal Brasil Econômico em 8 de outubro de 2009.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Ficha limpa e o ranking da corrupção no Brasil


11 MAIO 2010 SEM COMENTÁRIOS

Segundo o TSE o ranking da corrupção no Brasil foi o seguinte, medido pela quantidade de políticos cassados por corrupção desde 2000. Destacam-se no pódio dos campeões, com grande vantagem sobre os demais partidos, o DEM (1º), o PMDB (2º) e o PSDB (3º). Veja o ranking completo:
1º) DEM (69);
2º) PMDB (66);
3º) PSDB (58);
4º) PP (26);
5º) PTB (24);
6º) PDT (23);
7º) PR (17);
8º) PPS (14);
9º) PT (10);
10º) PV, PHS, PRONA e PRP ,empatados com (1).
Verifica-se, assim, que nessa medição de corruptos, os três maiores partidos da oposição PSDB/DEM/PPS vencem facilmente o PT, pelo ‘score’ avassalador de 141 x 10!