segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

MANIFESTO DE LAÇAMENTO DA PRÉ-CANDIDATURA DE BIRA – PREFEITO DE SÃO LUÍS PELO PT.

 “... Com as bandeiras nas ruas ninguém pode nos calar. E quem nos ajudará, a não ser a própria gente...”
César Teixeira – Oração Latina.
 
Está decidido que o PT terá candidatura própria a prefeitura de São Luís. Estamos diante de um processo de escolha desse candidato. O povo maranhense e a mídia acompanham atentos ao desfecho final dessa disputa. Em 2010, aconteceu o mesmo para saber quem seria o candidato a Governador do Maranhão. O PT na época escolheu, por maioria dos delegados (as) em encontro, que seria Flávio Dino (PC do B), mas a direção nacional decidiu intervir para que o PT apoiasse a candidatura de Roseana Sarney (PMDB).
Neste momento vivemos a continuação da disputa, só que agora a escolha é para saber quem será o candidato a prefeito se: BIRA (o candidato do PT de base) ou Washington Oliveira (o candidato indicado pela oligarquia).
A candidatura do BIRA expressa o sentimento de vários coletivos, organizados no campo político RESISTÊNCIA PETISTA, que reúne diversas correntes anti-oligarquia do PT-MA, como Militância Socialista, Articulação de Esquerda, Coletivo Reage PT, Democracia Socialista, Mensagem ao Partido Coletivo Reboliço, militantes históricos, lideranças dos movimentos sociais, profissionais liberais e intelectuais do petismo local e nacional.
A configuração deste campo político expressa a posição firme de assegurar uma candidatura do campo democrático-popular em São Luís, pautada nas marcas simbólicas que sempre caracterizaram o PT: a participação, a democracia, a inclusão social, o desenvolvimento e a geração de oportunidades, emprego e renda para a nossa população.
São estas marcas que diferem a candidatura de BIRA em relação à outra, que preferiu a comodidade do alinhamento à oligarquia Sarney, desperdiçando a oportunidade de construir uma frente de poder real e libertação do Maranhão.
Nossa candidatura está sintonizada aos princípios do desenvolvimento sustentável que pautam os grandes debates nacionais e internacionais. São Luís, cidade histórica, destino turístico internacional, precisa ter uma administração competente, capaz de proporcionar inclusão social aos seus moradores e receptividade aos seus visitantes.
Nossa capital está prestes a comemorar seus 400 anos, e o caos está instalado. Podemos mudar esta triste realidade. A atual gestão fracassou, não cumpriu sequer as promessas de campanha. O governo do Estado também não ajuda, pelo contrário, se puder atrapalha. Falta tudo: água, segurança, iluminação, trânsito, saúde, educação, áreas de lazer, cultura.
A administração de Bira contará com o apoio e os projetos do Governo Federal.  A gestão de Bira do PT priorizará a participação popular, transparência administrativa e inversão de prioridades, desta forma, podemos construir “outros 400” anos para nossa querida cidade.
A candidatura de BIRA reúne base social, prática política, experiência administrativa, amor pelo PT militante e a vontade de transformar sonhos e lutas em programas concretos para transformar São Luís.
Temos as condições de construir na candidatura de BIRA, a força e o brilho da militância petista, de base, criativa e inovadora, enraizada em cada rua de nossa cidade, capaz de conquistar o coração e o voto dos (das) ludovicenses.
Lançamos a pré-candidatura de BIRA A PREFEITO DE SÃO LUÍS para concorrer às prévias indiretas do PT.  Nesse sentido, convocamos os mais de 4.000 filiados (as) do Diretório Municipal para a eleição dos delegados (as) que participarão do encontro e terão o poder de escolher quem será o candidato do PT a prefeito de São Luís.
Saiba que o candidato dos petistas é BIRA-PREFEITO DE SÃO LUÍS. O outro é o candidato da oligarquia.
Este momento é decisivo para o PT e para o fortalecimento da sua democracia interna, no momento em que o partido completará 32 anos, construído pela base com a contribuição decisiva de cada militante.
Bira é deputado estadual, advogado, bancário da Caixa, professor, tem mestrado em Políticas Públicas (UFMA), com uma vasta militância na Pastoral da Juventude e no Movimento Estudantil. Foi presidente do Sindicado dos Bancários, Delegado do Trabalho no primeiro mandato do presidente Lula, é filiado ao PT há mais de 20 anos. Já foi candidato a vereador, senador em 2006 (quando obteve mais de 500 mil votos), vencendo João Castelo em São Luís (na época candidato a Senador).
Por fim, ratificamos que existem duas candidaturas na disputa das prévias indiretas do PT de São Luís. Portanto, não podemos deixar que mais uma vez o Palácio dos Leões escolha o candidato que o Partido dos Trabalhadores deverá apoiar.
A candidatura do BIRA A PREFEITO DE SÃO LUÍS representa a possibilidade de união do campo democrático popular e da vitória contra o candidato do PSDB, que tem feio uma administração catastrófica.
Conclamamos todos (as) os/as filiados (as) a votarem nas chapas de delegados (as) que apóiam a candidatura de BIRA - PREFEITO DE SÃO LUÍS e dizer o NÃO à intervenção de Sarney no PT, que quer nomear o candidato do nosso partido.
Pedimos o seu apoio e o seu voto para termos uma candidatura com a cara, a força, o brilho e a criatividade do PT de massas e lutas.


O VERDADEIRO PT NÃO SE RENDE!

Assinam este manifesto a Resistência Petista, campo político que reúne diversas correntes anti-oligarquia do PT-MA, como: Militância Socialista, Articulação de Esquerda, Coletivo Reage PT, Democracia Socialista, Mensagem ao Partido, Coletivo Reboliço, e militantes históricos, lideranças dos movimentos sociais, intelectuais do petismo local e nacional, como Manoel da Conceição, deputado federal Dutra, ex-deputado estadual Valdinar Barros, Augusto Lobato, Sílvio Bembem, Márcio Jardim, Francisco Gonçalves, Luís Carlos Cintra, Terezinha Fernandes, Jomar Fernandes, Joãozinho Ribeiro, Nelsinho Brito, Moisés Nobre, Bruno Rogens, Genilson Protásio, Luís, Raimundão, Leide Silva, Ed Wilson, Marlon Botão, Marlon Henrique, Ana Margarida, Janete Amorim, Paulinho Jorge, Genilde Reis, Mariano Martins, João Batista (Xibé), Natanael Araújo, Irene Silva, Raimundo Campos, Thayzya Martins, Prof. Joan, Carlito Reis, Creuzamar de Pinho, Paulo Oliveira, Campos, Zé de Deus, Ricardo Ferro, Vicente Mesquita, Joseane Gamba, Salvador Fernandes, Bernardo Felipe, Genilson Alves, Mary Ferreira, Natan, Genésio, Malu, Ivaldo Coqueiro, Júnior Catatau, Isaura... Dirigentes nacionais Valter Pomar, Renato Simões, Gilney Viana, Acrisio Mota, Raul Pont, Iole Ilíada, dep. Mauro Rubem e tantos outros,

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Punição ao assasino de Flávio Pereira

Dona Alba e amigas de Flávio

Há cinco anos a vida do amigo e professor Flávio Pereira, o Flavão, era ceifada de maneira brutal e covarde no retorno da forquilha em São Luís. Um banal incidente de trânsito chegou às vias de fato quando o policial civil Olivar Aguiar Cavalcanti decidiu disparar de dentro do seu carro contra o peito de Flávio Pereira. Passados cinco anos desse absurdo a justiça comete mais outro ao não dar celeridade ao processo que puna o assasino e o tire do convívio social.
Há 2 anos a mãe de Flávio Dona Alba, reclamava por celeridade no processo que podia conforatar a dor de uma mãe que viu a vida de seu filho ser cessada de maneira tão brutal. Eis a carta:

Carta da sua mãe Alba

É pela indignação,pelo amor de mãe,e de toda uma família,que peço JUSTIÇA pela morte do meu filho FLÁVIO PEREIRA DA SILVA,um homem de bem,que lutava pela sociedade,contra VIOLÊNCIA em seus trabalhos de sociólogo,antropólogo e professor da Universidade Federal do Maranhão(UFMA)e Centro Universitário do Maranhão(UNICEUMA).Sua vida foi intorrompida covardemente por um POLICIAL CIVIL(OLIVAR AGUIAR CAVALCANTE),que deveria nos proteger e,mais indignada fico ao saber que continua na corporação.Um ano se passou e as audiências cada vez mais distantes.Por quê um reú confesso demora tanto a ser PUNIDO?Justiça é o meu apelo para que outras famílias não passem pela dor e indignação que a nossa está passando.
LEMBREM-SE QUE A IMPUNIDADE GERA VIOLÊNCIA.
Peço aos amigos que me ajudem nesta luta por JUSTIÇA.

Ass:Alba Maria(Mãe do Flávio)

Amanhã, 25 de janeiro de 2012 as 10:30 na II Vara Criminal da Comarca de São Luís será a Audiência de Instrução e Julgamento da Ação Penal Contra Olivar Aguiar Guimarães que conforme os laudos, as testemunhas e peritos tinha a intenção de matar.

Convido todos os amigos de Flávio Pereira à se fazer presente nessa audiência para demonstrar nossa indignação com a lentidão da justiça e pela condenação do réu através de Juri Popular.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Aos 47... o pensamento crítica respira: sai o e-book de Guerrilhas, coletânea de artigos de Flávio Reis

Flávio Reis em tempo de Guerrilha!!!
2011 vai terminando com um acontecimento capital aos 47 do segundo tempo. Flávio Reis lança seu olhar arguto e certeiro à chocante realidade maranhense com ironia, inteligência, bom humor e sacadas geniais sobre a miséria cotidiana que o poder oligárquico impôs à sociedade maranhense ao longo do longo século XX. Tratando de temas variados como a controversa fundação francesa de São Luís, passando pela invenção da chama música popular maranhense, dialogando com a pecha de jamaica brasileira, expondo as tragédias de nossa miséria social e passando pelo que de bom foi exibido e produzido no universo audio-visual maranhense Flávio Reis lança um olhar necessário àqueles que exigem do pensamento crítico algo para além dos chavões e babações costumeiras da mídia e da ensaísticas locais. 
Viver no Maranhão não é fácil nesse quartel de século para quem exige algo a mais do pensamento, pois as atrocidades estão aí para todo mundo ver a hora que quiser: a consolidação da decadência oligárquica com a a benção, quem diria,  do PT de Lula e do governo federal, a submissão das instituições federais aos mandos do chefe oligarca regional (vide TSE), as instituições estaduais de joelhos aos caprichos de um executivo inoperante e corrupto, a expansão da especulação imobiliária frente aos recursos naturais da ilha, a devastação de babaçuais, a corrupção deslavada na assembleia legislativa, a greve de movimentos sociais reprimida sempre com violência física e simbólica (jurídica, midíatica e etc), o assasinato sistemático de lideranças rurais quilombolas, a buraqueira e falta de infra-estrutura básica que se avoluma nos bairros da ilha... e por aí vai... Contra tudo isso o pensamento crítico respira com a publicação de Guerrilhas lançado pelo selo pitomba em parceria com o jornal Vias de Fato o qual de antemão lanço meus parabéns!

Para quem quiser a versão em e-book do livro ai vai o link: https://docs.google.com/open?id=0B72UxJ7Lnt0-OGJhMDc0NzQtNTM3OC00YzIxLWExM2UtZjI5Y2E1YjUwYTVj


Boa leitura!!!!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Manifesto da Sociedade Civil maranhense pelo Impeachment de Roseana Sarney Murad


As entidades abaixo-assinadas têm por objetivo pedir o impeachment de Roseana Sarney Murad. O Maranhão está completamente desgovernado. São sucessivas greves, onde os trabalhadores do nosso estado têm se mostrado insatisfeitos com o poder que comanda e oprime o nosso povo.
O atual movimento dos Policiais Militares, Bombeiros e Polícia Civil nos parece a gota d`água. A solução apresentada pela governadora (se é que podemos chamá-la assim) é criminalizar os grevistas. Diariamente os seus veículos de comunicação (Sistema Mirante) agem no intuito de tentar colocar a população contra a greve, tentando esconder a total responsabilidade do governo pelo impasse.
Estamos diante de um clima de caos, causado única e exclusivamente pelo descaso criminoso do poder público estadual do Maranhão. A governadora Roseana Sarney Murad tem demonstrado que seu governo não está comprometido em cuidar das pessoas como diz a sua propaganda enganosa.
A saúde não existe e é marcada pela imensa e deslavada corrupção de seu cunhado, Ricardo Murad.
Na educação, enquanto a sociedade clama pelos investimentos em 10% do PIB, ela estatiza ilegalmente a fundação de seu pai, tentando manter o Convento das Mercês como museu de sua família.
Na área da cultura ela vai torrar milhões bancando uma escola de samba do Rio de Janeiro, sem qualquer justificativa.
Some-se ao crescimento da miséria, a violência no campo, ao avanço do latifúndio, ao profundo desrespeito aos diretos humanos e temos uma mostra do que é o Maranhão sob o desgoverno de Roseana. Estamos viajando num trem descarrilhado!
Por isso, solicitamos a Assembléia Legislativa do Estado o Impeachment da Governadora Roseana Sarney Murad. Porém, se esta mesma Assembléia continuar de costas para a sociedade, nós esperamos que as instituições federais tomem uma providência urgente.
A coisa já passou do limite!


ANEL
CES
CSP CONLUTAS
JUVENTUDE PDT
JUVENTUDE PSB
MEI
NAJUP NEGRO COSME
OS LIRIOS NÃO NASCEM DA LEI
UBES
UJS
UNE
UNIÃO ESTUDANTIL PINHEIRENSE
VALE PROTESTAR



terça-feira, 22 de novembro de 2011

Funcionários da Universidade Federal de Rondônia denunciam descaso e são ameaçados


Aos que não estão acostumados com os jargões amazônicos, a menção a “descer na enchente do rio”, ao qual o bilhete se refere, é uma referência clara ao hábito de se desovar cadáveres nos rios da região.
Por Estêvão Rafael Fernandes [*]
greve_unir
Quando achamos que a falta de bom senso e a impunidade chegaram a seu ápice, somos surpreendidos por mais descalabros.
Há pouco mais de 15 dias enviei a algumas pessoas um email (reproduzido aqui) rogando por apoio e buscando dar visibilidade a crise que se instaurou na Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Supus, ingenuamente, que aos poucos o Governo brasileiro e as instituições responsáveis (Polícia Federal, Ministério Público, Ministério da Educação, etc.) fossem, de alguma forma, se sensibilizar pelo que tem ocorrido em terras rondonienses. Ledo engano.
Nestes 15 dias nada mudou para melhor. Ao contrário, o pânico se instalou e se intensificou. Prova disso está em dois fatos ocorridos hoje.
Nesta tarde uma aluna de psicologia, membro do comando de greve dos estudantes, foi surpreendida na porta de sua casa por homens encapuzados que lhe [disseram que] em breve ela morreria.
Além disso, um bilhete anônimo foi colocado sob a porta de diversos laboratórios e departamentos com os dizeres:
“NÃO ADIANTA CANTAR VITÓRIA ANTES DO TEMPO. MUITA ÁGUA AINDA PODE ROLAR… SEGUE ALGUNS NOMES QUE PODEM DESCER NA ENCHENTE DO RIO”
Segue-se uma relação de nomes de alunos e professores (entre os quais, eu).
unir_greve
Aos que não estão acostumados com os jargões amazônicos, a menção a “descer na enchente do rio”, ao qual o bilhete se refere, é uma referência clara ao hábito de se desovar cadáveres nos rios da região.
Peço, portanto, aos colegas, que nos ajudem a dar visibilidade a esses episódios brutais. Os ânimos aqui andam acirrados e alguns alunos e professores têm sido seguidos e/ou ameaçados (alguns, inclusive, têm dormido em casas de amigos ou parentes, com medo do que possa ocorrer). Aos que tiverem contatos em OnGs, entidades acadêmicas ou no Governo, ou mesmo os que queiram manifestar seu apoio publicamente por meio de moções, toda a ajuda é bem-vinda. Por favor, reproduzam esses emails a suas respectivas listas.
Não peço a nenhuma entidade que se manifeste contra ou a favor do movimento grevista, mas a favor da transparência nas investigações e no comprometimento do Governo brasileiro de que a segurança das pessoas que vem sendo ameaçadas seja garantida.
Como sempre, agradeço pela ajuda.
[*] Prof. Estêvão Rafael Fernandes
Chefe do Departamento de C. Sociais
Universidade Federal de Rondônia (UNIR)
Coordenador do Observatório de Direitos Humanos de Rondônia (CENHPRE/UNIR)
Porto Velho, RO, Brasil

domingo, 29 de maio de 2011

A LAMBANÇA COROADA DE NATALINO SALGADO

Bem vindos a UFMA! entrada improvisada e esburacada
Natalino Salgado assumiu a reitoria da UFMA em 2007, após dez anos à frente do Hospital Universitário, que expandiu e ao mesmo tempo enredou numa série de práticas clientelistas. Logo no início de sua gestão, pressionado pelo MEC e com atraso em relação à maioria das outras universidades federais, impôs a aceitação das regras do projeto de expansão do governo federal (Reuni) sem maiores discussões. E se assim começou, assim continuou. Era preciso não perder o bonde das verbas e promover as melhorias de que a universidade necessitava. Na verdade, estava dado o sinal para a sucessão de trapalhadas que culminaria numa reportagem do Jornal da Globo exibida nesta semana, integrando uma série especial sobre o ensino superior no país e cujo tema eram exemplos de abandono de instalações.
A cena é impagável, o repórter Rodrigo Alvarez está diante do Laboratório de Tecnologia Farmacêutica (LTF), completamente abandonado, devidamente fechado e não podendo ser aberto à reportagem senão com a autorização do reitor. Contactado pelo celular, ele responde de forma quase inaudível que não acha necessário autorizar a entrada, agradece e desliga o telefone com o repórter ainda na linha. Este se dirige em seguida ao prédio da faculdade de Fármácia, no centro da cidade, prédio tombado que está caindo aos pedaços (a exemplo de outro, mais exuberante e importante, onde funcionava o departamento de assuntos culturais) e vai ao Laboratório de Bioquímica Clínica, que encontra desativado. Instada a explicar a situação, a chefe do departamento fala que são sete laboratórios com um orçamento anual de R$ 10 mil! Ao final, vemos a palavra do reitor Natalino Salgado, o homem que, na intuição certeira do repórter, detém as chaves da Universidade Federal do Maranhão. Diz exatamente tratar-se de um prédio abandonado há quinze anos, com equipamentos enferrujados e que não havia necessidade de filmar nada lá, principalmente quando existiriam tantos “projetos estruturantes” nesta universidade que estava passando por “grandes transformações”. Perguntado se não achava que a falta dos laboratórios prejudicava a formação dos alunos, saiu com esta pérola: “eu não tenho nenhum estudo para avaliar as atividades dos nossos alunos depois de formados”. É de espantar, pois estamos falando de laboratórios para cursos de farmácia e bioquímica... poderiam não ser essenciais? E o reitor Natalino Salgado é médico, goza de bom conceito como urologista. A explicação para tal disparate parece estar no seu tão propalado “modelo de gestão”.
Natalino Salgado não deixou passar oportunidade de angariar recursos através da aceitação sem controle dos programas de expansão do MEC, prometendo dobrar o número de alunos da UFMA num prazo muito curto. Tratando das reformas patrimoniais, centralizou as importantes decisões da esfera acadêmica na Pró-Reitoria de Graduação, que passou a distribuir determinações, muitas vezes por cima de suas atribuições estatutárias, lá colocando um professor alheio aos quadros desta ou de outra universidade, no melhor estilo “cargo de confiança”. Paralelamente foram se esvaziando os conselhos universitários, de maneira que decisões de suma importância como a definição dos horários e do planejamento acadêmico quase foram alterados drasticamente de uma canetada, este último implicando em grande perda para as atividades de pesquisa. Já vimos este filme inúmeras vezes, um círculo restrito de professores burocratas transforma tudo em números e gráficos, trata a universidade como se fosse uma coisa só, desconhece seus problemas e nem quer ouvir as unidades, acha que tem um modelo ideal, que, no caso, é apenas tentar se ajustar de qualquer forma às metas acordadas com o MEC.
Nestes anos, tornou-se visível que muitas verbas apareceram. Os recursos captados vão a mais de 200 milhões. Sem saber de detalhes dos números, os olhos não param de perguntar como eles foram utilizados, quando vemos várias obras interminadas, algumas se arrastando há dois anos e outras claramente escandalosas, compreensíveis apenas dentro de uma visão da instituição como empresa, onde, como diz o velho ditado, a propaganda é a alma do negócio.
No final de 2008, ano em que os recursos do Reuni começaram a chegar, estava na abertura do Encontro Humanístico, naquela ocasião com a presença do professor Paulo Arantes, quando ouvimos estupefatos o magnífico reitor anunciar em seu discurso uma reforma dos banheiros do CCH, para aplauso da galera. Parecia um político em palanque de interior anunciando obras. Aquela cena dizia muito sobre o estilo em questão. A tal reforma atravessaria mais de um ano em execução e este seria o padrão comum. Elenco apenas aquelas com que deparo no cotidiano: a construção de um prédio pequeno destinado à pós-graduação das ciências humanas se arrastou durante anos; a reforma de banheiros do CCSo, já entrando no terceiro semestre; a incrível obra de antiengenharia que é a construção das rampas de acessibilidade no mesmo prédio, que também já está pelo terceiro semestre, e torna o prédio ainda mais quente quando talvez fosse mais barato instalar um elevador exclusivamente para este fim; a obra do pórtico de entrada, licitada no valor de 400 e poucos mil para entrega em três meses, já estando com pelo menos o dobro, além de todo o plano viário, pois parece que saíram arrebentando tudo ao mesmo tempo sem nenhum planejamento. Algo de importância óbvia para o funcionamento diário de uma instituição onde se movimentam milhares de pessoas é tratado com um simples “desculpem os transtornos” e pelo visto vai atravessar o semestre.
placa anuncia obra da entrada da UFMA
O prédio Paulo Freire, foi “inaugurado”, com festa e presença do ministro, mas ainda está daquele jeito. Prédio que, diga-se, é a expressão da devastação ambiental promovida sem pena pela Prefeitura de Campus nestes anos. É coisa feita sem nenhuma perspectiva ambiental mais ampla, e que só fica bem mesmo nas imagens caprichadas das maquetes. O centro de convenções, a TV universitária, a concha acústica, a nova biblioteca central, a biblioteca setorial do CCH, o auditório central, a fábrica Santa Amélia, todas são obras que caminham muito fora dos prazos. Longe de ser um bom administrador, Natalino Salgado parece ser um mau gerenciador de recursos. A gastança, promovida principalmente através da Fundação Josué Montelo, com certeza não resiste a uma auditoria.
Atento ao que interessa nestes tempos de propaganda e espetáculo, o reitor tratou logo de ampliar a assessoria de comunicação da universidade, a ASCOM, transformando-a em autêntica agência de publicidade de sua gestão. E passamos a receber um jornal com vinte páginas, de que ele se orgulha da tiragem aos milhares, cheio de matérias falando de maravilhas, projetos em andamento e do mundo novo a vir, repleto também de fotos do reitor em setores e ocasiões diferentes. Existia ali clara obsessão com a construção de uma imagem de inovação e empreendedorismo. Recebemos mesmo um kit com dvd mostrando a Ufma como verdadeira potência rumo à excelência, um delírio só. Nos números, jogados em comparações soltas, parece interessante, mas na realidade cotidiana é outra coisa. Aí as instalações são inadequadas, os professores insuficientes, a biblioteca é muito ruim, as salas de aula quentes e desconfortáveis, as salas de projeção foram desativadas, laboratórios sucateados ou fechados, os terminais de computadores seguem insuficientes, não há espaços de convívio, tudo continua feio e destruído. Exemplos de compras mal feitas e desperdício existem aos montes, mas vou ficar com as centenas de bebedouros recentemente adquiridos com a voltagem imprópria.
Academicamente, a expansão à toque de caixa vem criando problemas e gargalos nos cursos, muitas vezes surpreendidos com decisões tomadas à revelia dos colegiados pela poderosa Proen, tendo que operar malabarismos, já cada vez mais difíceis de disfarçar, quando o número de disciplinas sem oferta aumenta e logo vai estourar. No departamento de sociologia e antropologia, por exemplo, que atende a toda universidade, foram cerca de trinta disciplinas sem condições de oferta no semestre em curso. Em dois ou três semestres a situação ficará insustentável. Os Centros continuaram anêmicos e quase sem função, como quer a reitoria e parecem concordar os respectivos diretores, que agem como se não tivessem sido eleitos e sim nomeados pelo reitor. Concordam com tudo e mais alguma coisa, não articulam os cursos e vão apenas tocando o expediente. A investida final é sobre os departamentos, que perderão qualquer autonomia na definição de suas atividades, ou deixarão mesmo de existir, o que já está em vias de ser sacramentado. A expansão da pós-graduação, por sua vez, é feita aos trancos, sem acomodações, com estrutura improvisada e, principalmente, de forma muito isolada, é cada qual por si. Em vez de tentar modificar nossas arcaicas instâncias de decisões no sentido de abrir para a própria comunidade a gestão da universidade, tomou-se decididamente o rumo inverso de concentrar decisões, esvaziar colegiados, uniformizar procedimentos, desconhecendo a realidade efetiva dos diferentes centros. Neste sentido, o “novo marco legal” de que falam desenha uma centralização ainda maior e totalmente contrária aos requisitos de diversificação, autonomia e participação, tornadas apenas palavras constantes nos outdoors.
Por fim, para deixar claro que não convive bem com crítica e opiniões incômodas, o reitor tratou de cooptar o Diretório Central dos Estudantes, com pleno êxito, sendo triste ver um antigo espaço de lutas servindo de agência da reitoria, e chegou a articular uma chapa para tomar a diretoria da Associação de Professores, quase obtendo sucesso na empreitada. Foi por inciativa desta última, aliás, através de ação junto ao ministério público, que finalmente tivemos no início deste semestre as eleições para diretores de centro e chefes de departamento, adiadas sem justificativa há quase um ano. Agiu de forma contrária, célere, quanto à consulta para reitor, processo atropelado com prazo exíguo para registro de candidaturas e poucos dias para campanha. Acima de tudo, era preciso impedir qualquer discussão. Assim, Natalino Salgado seguia em céu de brigadeiro, atropelando tudo, distribuindo em mala direta um luxuoso folder de sua candidatura, papel couche com várias fotos (tudo do que ainda será...) e gráficos, com a propaganda da “gestão de qualidade comprovada”, até a citada reportagem que o pegou no contrapé.
Enquanto se propõe a gastar meio milhão num pórtico de entrada, construir um centro de convenções com auditório de quatro mil lugares e outras prioridades, a reitoria deixa laboratórios e bibliotecas, departamentos e centros à mingua. Se o repórter fosse olhar as tais obras estruturantes encontraria a situação descrita de várias obras inconclusas e sempre com poucos trabalhadores à vista. Tudo fruto de uma forma de gestão que é a própria irracionalidade administrativa. Tal como os políticos, o reitor gosta de atender a pedidos, não trabalha com descentralização de decisões e de recursos, agindo efetivamente como “o homem que detém as chaves da UFMA”.
Duas candidaturas oposicionistas se apresentaram contra essa situação. A professora Cláudia Durans, do departamento de Serviço Social, lançada pela Apruma, e a professora Sirliane, do departamento de Enfermagem. Em que pese o respeito que a primeira merece, a Apruma continuou voltada para dentro de si e não conseguiu articular formas de acompanhamento, denúncia e protesto contra o processo em curso. O nome da professora Sirliane foi uma surpresa agradável, pelo acerto das bandeiras de campanha Gestão Pública, Democrática e Transparente, exatamente tudo o que Natalino Salgado não faz, e por sinalizar novamente, apesar do tempo exíguo e da articulação menor, algo que a candidatura do professor Chico Gonçalves há quatro anos trouxe, a esperança de que os professores, alunos e funcionários desta universidade percebam um dia que podem caminhar fora da canga imposta por círculos que vivem anos a fio trancados nas esferas da administração superior e pouco sabem do dia a dia da universidade, das pessoas que a compõem, de suas dificuldades e necessidades. Esses senhores de casaca vivem vendendo o faz-de-conta e para isto precisam mesmo de muita propaganda, entretanto, chega uma hora que algo de revelador escapa e a realidade fura o engodo publicitário. Foi o que aconteceu no caso dos laboratórios do curso de farmácia na reportagem do Jornal da Globo, que, num lance, pôs a nu a real qualidade da gestão do reitor Natalino Salgado.



Flávio Reis
Prof. Desoc/UFMA

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Polícia para quem precisa: trabalhadores reprimidos e cidadãos sem segurança




Este relato é feito em primeira pessoa e retrata os acontecimentos vivenciados por mim durante as últimas horas em que fui vítima da violência urbana na cidade em que moro, São Luís do Maranhão. Contextualizando:
Polícia reprimi professores
Retomei as aulas de capoeira há uns dois meses como forma de recuperar a forma física, superar o sedentarismo e me proporcionar melhor qualidade de vida. Acertei com o professor Luciano a realização das aulas na sua escola localizada Residencial Primavera nas proximidades do Turú. Inicialmente me deslocava de automóvel do bairro em que moro, a Cohab, para o local das aulas pegando a avenida São Luís Rei de França e entrando no cruzamento em direção ao parque vitória só que em sentido contrário, em direção ao Residencial Primavera. No horário da noite, com intenso trânsito e engarrafamentos a mil, esse pequeno percurso, durava em torno de 40 minutos de carro, depois de muito stress em decorrência da truculência com que a maioria dos motoristas de São Luís encaram o trânsito. Decidi então ir por outro percurso, pegando a Jerônimo de Albuquerque e entrando na via que dá acesso ao residencial Pinheiros chegando até o local das aulas. O percurso foi realizado com menos tempo e stress mas me deparei com outro problemas, os buracos nas vias do residencial pinheiros. Decidi então adquirir uma bicicleta para tirar um carro de circulação, fazer um trajeto em menos tempo e ainda me dedicar à mais uma atividade física.
Com a bicicleta o percurso era feito em menos de 15 minutos. Acontece que voltando para casa no dia de ontem fui abordado por dois sujeitos um armado com arma de fogo que me obrigou à entregar a bicicleta e uma bolsa com alguns pertences. Fui assaltado à mão armada na rua do Jardim de Fátima, onde se localiza o Colégio Freitas Figueiredo. Me dirigi então ao posto de polícia comunitária localizada na praça do rodão bem em frente à igreja católica da Cohab. Lá informei a situação à um soldado de plantão. Ele foi prestativo e me orientou à registrar uma ocorrência no 190 o qual fiz prontamente. Essa ocorrência designou uma viatura para patrulhar a área do ocorrido para captura dos marginais. Esperei por quase uma hora pela viatura. Assim que chegou os dois policiais responsáveis recolheram algumas informações minhas e quase nenhuma acerca dos suspeitos. Eles afirmaram que de posse de algum resultado na busca iriam me contactar. Me aconselharam também à registrar boletim de ocorrência na delegacia mais próxima. Até agora não houve nenhum contato.
B.O: mais uma estatística; criminosos à solta
Hoje de manhã na delegacia fui atendido por um escrivão que registrou a ocorrência. Perguntei sobre a possibilidade de captura dos dois marginais quando o mesmo me informou que era designação do setor de captura me apontando um policial membro desse grupo. Me dirigi ao mesmo e informei sobre o ocorrido. Sem ao menos de deixar concluir o relato afirmou que não fazia parte do grupo de captura, que era pra eu esperar o chefe da captura chegar e saiu com cara amuada para outra sala da delegacia.
truculência contra pais de famíalia
De posse do boletim de ocorrência e do protocolo de atendimento do 190 minha sensação é de que contribui apenas para a inserção de mais uma estatística nos relatórios e no sistema da polícia civil e militar, sem nenhuma possibilidade de recuperação dos meus bens e, pior, de repressão à dois marginais que provavelmente voltarão à cometer assalto à mão armada contra cidadãos de bem desta cidade. Uma burrocracia imensa só pra fazer uma viatura ir atrás de dois bandidos armados.
O pior de tudo é que horas antes grande efetivo da Polícia Militar era usada para reprimir a manifestação legítima dos motoristas de ônibus por melhores salários e condições de trabalhos. A PM tratou trabalhadores e pais de família como marginais só por que estavam no exercício do seu direito de reivindicar condições dignas de sobrevivência enquanto que dois marginais, assaltantes à mão armada eram beneficiados pela imensa burrocracia existente para registrar uma queixa. Poucos dias antes a polícia também usava a força física para coagir professores que também reinvindicavam melhores salários e condições de trabalho.
violência contra trabalhadores
E assim segue a barbárie no Maranhão: o direito de greve indo pro saco, com policiais truculentos prendendo trabalhadores e pais de família enquanto marginais assaltantes desfilam à solto por aí beneficiados pela burrocracia administrativa nos nossos órgãos públicos.