
Ainda no quesito ciência e educação há um fato grave. Não faltam denúncias e reclamações de professores e profissionais da educação sobre as condições de trabalho, desorganização administrativa e atraso nos salários de professores. Ao mesmo tempo o governo de Roseana Sarney Murad anuncia pomposamente investimentos na ordem de R$ 40 milhões para o carnaval no estado. Repetindo: São R$ 40 milhões para a folia de momo em um carnaval que não tem chega aos pés do que é o carnaval de Recife por exemplo, com diversas atrações nacionais com apresentações gratuitas pela cidade. Aqui os R$ 40 milhões sabe lá como serão gastos entre os jegues, bichos e pontos com's da vida...
No quesito corrupução a semana foi farta. Retificando, neste quesito os exemplos têm sido fartos há longos mais de 40 anos de domínio coronelesco da família Sarney. Mas vamos à semana: O prefeito de Barra do Corda, aquele que tem avião, helicóptero, carrões e mansões, acusados pela Polícia Federal de desviar mais de R$ 50 milhões da pobre Barra do Corda não passou um dia sequer preso. A Justiça conceder habeas corpus e o mesmo continua passeando de avião, helicoptero e carrões caçoando das instituições do país.
Aí vem a questão de nossa briosa Justiça. O sistema carcerário maranhense continua punindo como se estivéssemos no Afeganistão ou no Irã. Dentro do atual sistema os presos não tem nenhuma perspectiva de ressocialização. Aliás, esse conceito é um luxo para não só para o sistema carcerário maranhense mas também para o nacional. No Maranhão os presos são punidos através dos maus-tratos, condições precárias de sobrevivência nas cadeias e degolamentos. Só este ano já foram quase 10, sem falar nos assassinatos. Essa semana morreu mais um.
Ainda no quesito justiça há o curioso caso do ministério público estadual do Maranhão, em que um simples reforma de prédio já dura mais de três anos e obrigou o conselho nacional de justiça à enviar um representante para realizar diligência. A previsão de gastos iniciais para a reforma era de aproximadamente R$ 1milhão e 300 mil reais. Erros de execução dos cálculos elevaram esse valor para R$ 7 milhões e 400 mil reais, com a justificativa de incluir cabeamento elétrico e de informática, que não havia no primeiro projeto. Ora, quem desenvolveu o primeiro projeto imaginou que a sede das promotorias funcionaria à base de lamparina? E que cabos e redes elétricas e de informática são essas que custam essa fortuna? São os nossos gestores e representantes da Justiça....
Para fechar com chave de ouro esse breve relato da semana no Maranhão temos a operação da Polícia Federal que denunciou a cúpula da Incra no Maranhão. Estão sob investigação ex e atuais diretores do órgão, delegados agrários e presidentes de entidades ligadas à trabalhadores rurais. Os números não são precisos mas suspeita-se que acusados comandara um esquema de desvio dinheiro que varia de R$ 150 milhões de reais à R$ 500 milhões de reais, destinados à construção de casas em locais de assentamentos para trabalhadores rurais. Isso mesmo o rombo pode chegar a meio bilhão de reais, enquanto considerável número de trabalhadores rurais no Maranhão moram em casas de taipa à base de lamparina.
Para finalizar realmente cabe evocar a lembrança do companheiro Virgílio Moura, grande apoiador das lutas por reforma agrária e da organização dos trabalhadores rurais no Maranhão, falecido este sábado. Virgílio não merecia testemunhar os descalabros no Incra que agora vêm à público. Ele não merecia saber que o povo sofrido da sua terra continua sendo massacrado pelos poderosos, vivendo em condições adversas, entregues à sua própria sorte, sendo enganados por traidores das causas do povo. A sabedoria misteriosa da natureza tratou de levar Virgílio antes desses fatos virem à público. Que descanse em paz, ciente de que sua luta não foi em vão e de que homens e mulheres haverão de levar adiante a sua causa em nome da emancipação da classe trabalhadora, na cidade e no campo.
Bruno Rogens é professor e militante do PT-Ma