terça-feira, 13 de março de 2007

Terror e Bárbarie no país do jeitinho: O lançamento da grife João Hélio MashWear

Car@s,
reproduzo aqui o texto do blog de Bruno Azevedo, linkado nesse blog, que trata da banalização da violência a partir do caso do menino João Hélio. É simplesmente absurdo o modo como a sociedade brasileira trata questões sérias. Enquanto formos asfixiados pelas personalismo e pelo jeitinho no trato de coisas que devem tratadas como PÚBLICAS, o nosso país continuará a ser um reles republiqueta do hemisfério sul. no mínimo a sociedade deveria estar discutindo temas como a violência, direitos da infância e leis para crimes bárbaros depois da sesão de horror a q fomos, e continuamos a ser, submetidos pelo noticiário. os intelectuais são os primeiros a se esconder por trás do personalismo, (inclusive os sociologos e antropologos que estudam a questão) enquanto isso a sociedade se mobiliza p votar no paredão do big bode, p ir à academia malhar, ou comprar a roupa da moda....

eis o texto:

menino joão hélio mashwear

Um dia desses tive que levar minha sogra no hospital. ela num se agüentava de nervosa, tremia, suava frio e falava nada com nada.
Isso tudo depois que um fulano ligou pra ela umas 3 da manhã, com um papo de que alguém tinha sido assaltado, seqüestrado ou coisa que o valha.

E lá vou eu levar a sogra pro hospital, com um só pensamento:
“porra, como deve ser legal passar esses trotes!”
Minha namorada diz que eu posso acabar matando alguém com isso, mas acho que vale à pena. Tipo, alguém poderia ter matado a minha sogra com aquilo!
Outro dia também joguei o carro pra cima de um cara. Sei lá, era um cara forte, saindo da academia, andando no meio da rua, indo pro carrão dele... eu achei que tinha direito, entendem. Puf! O cara deu um pulão, foi pra calçada, tirei um fino!
Ri muito, mas a karla ficou fula da vida, disse que não ia mais me deixar dirigir.
Ótimo, eu detesto mesmo dirigir mesmo
Passei o resto da noite tendo que controlar aquela excitação de menino, me perguntando porque porra eu não poderia rir da cara do desgraçado que eu joguei na calçada
Quando em vez esses pequenos surtos.
Vivo imaginando tragédias.
É como aquela cena do comecinho do akira, que um dos motoqueiros entra pela rua errada. O que vai pelo caminho certo só vê o clarão à esquerda, bum, mas não para.
Eu ando sempre assim, só que eu mesmo sou os dois motoqueiros.
E se esse ônibus me atropelasse?
E se o lula atirasse no bush?
E se esse prédio desabar, é melhor estar no último ou no primeiro andar?
Sempre que abro um jornal penso no caixão do Sarney, sempre. Um dia ainda vai rolar, bigode, e eu vou rir pra caralho!

É sempre uma cena paralela, quando olho pra frente novamente ela já passou.
tô pensando em fazer uma nova grife
até já existe
“menino joão hélio”
Ta todo dia na TV
Um carro.
A imagem fica clara e escura, à medida que o carro passa pelos postes
A câmera desce, num plano mais fechado
Casal feliz no volante, menininho dormindo no banco de trás. pára no sinal, chegam dois caras, tomam o carro de assalto
“por favor, não arrastem meu filho preso pelo cinto de segurança”
Os assaltantes chutam o palerma do carro, chutam a vagaba, atiram nela
Ligam o cassete, toca um rock da estação, tipo pity, cheio de atitude
O malaco no banco do carona faz um cafuné no menininho, ainda adormecido
A câmera fecha nele, dormindo, calmo, se livrando dos pais
Entra a chamada:
“menino joão hélio, até os malvados se derretem”

Um dia desses vi no jornal que um grupo de intelectuais estava organizando um protesto por causa do menino joão hélio
Na capa da veja tinha uma propaganda do menino joão hélio
“mais uma vez não vamos fazer nada?”
Hehehe
Na novela também teve uma propaganda, eu vi

É que nem a camisa do câncer. Que já é um alvo
Além da menino joão hélio, devia também ter a camiseta da bala perdida, assim:

THAT WAY!







...
You shot me down,
bang
bang
I hit the ground
bang
bang

hihihihih

Fonte: bazevedo.blogspot.com

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Um comentário:

joaquim f. disse...

esses brunos são de morte!!!