quinta-feira, 16 de abril de 2009

Diretora da UNE desqualifica manifesto da juventude comprada


O Maranhão em uma encruzilhada.

Thalita Martins*


O Estado do Maranhão teve um grande avanço político nas últimas eleições para Governo do Estado ao dizer “não” à oligarquia Sarney. Décadas e décadas de coronelismo deixaram marcas profundas que hoje tentam ser superadas com muita dificuldade. Enquanto outros Estados avançavam econômica e socialmente, o Maranhão apresentava traços das mais atrasadas formas de produção e o pior índice de desenvolvimento humano do Brasil. Os mais ricos eram os mais ricos do país e os mais pobres estavam abaixo da linha de pobreza.


Em 2006, fizemos a opção de escolhermos, via a democracia representativa, uma outra perspectiva de futuro para o Estado nos próximos quatro anos. Naquele momento, inúmeras pessoas de todas as classes sociais foram às ruas, numa linda e pacífica manifestação, como há muito tempo não víamos na Ilha Rebelde, dizer “Xô Rosengana”. E fizemos a escolha, não porque Jackson Lago se mostrava como o melhor candidato, mas pelo fim do coronelismo sarneysista que reinava em nosso Estado. Foi uma forma legal e democrática que o povo maranhense encontrou de dar um basta à anos e anos de atraso.


Hoje, nos encontramos em mais uma encruzilhada. A qualquer momento o Império Sarney pode voltar à tona. E isso me preocupa. Não acho que o Governo Jackson Lago tenha sido aquilo que sonhamos, um Governo que atenda aos anseios populares. Aliás, não faço apologia ao seu Governo (e nem é esse o meu intuito), por entender que apesar de alguns avanços, erros graves foram cometidos nessa pequena trajetória. E nem acho também que a oligarquia Sarney tenha se findado por completo. Uma prova disso é analisarmos nossos três representantes no Senado e o resultado das eleições municipais de 2008. O ano de 2006 apenas mostrou que esse poder havia se enfraquecido no Maranhão.


A volta de Roseana Sarney ao Governo pode significar o (re)fortalecimento de um grupo, cuja visão política arcaica contrasta com o cenário de crescimento político, econômico e social que o Brasil, na atual conjuntura, apresenta. Se já não bastasse a vitória de José Sarney para Presidente do Senado... Portanto, toda a nação deve se envolver nesse cenário e se preocupar com o que poderá ocorrer nos próximos dias no Estado do Maranhão.


Todas e todos os brasileiros (principalmente os maranhenses) precisam entender esse momento (histórico!) no qual estamos inseridos. Aliás, faz-se necessário sermos atores e atrizes desse palco, participando ativamente do que nos rodeia. Não dá para fingir que nada está acontecendo. É preciso aflorarmos um pensamento crítico na sociedade, para podermos entender e nos posicionarmos sobre a atual conjuntura política, social e econômica do Maranhão.


E, de preferência, nos posicionarmos outra vez, de todas as formas que pudermos desde que legais, contra o grupo Sarney. O espírito de se indignar e se rebelar contra aquilo que achamos injusto ou errado não é apenas da juventude, mas é inerente a todo e qualquer ser que guarde dentro de si um pouco de humanidade. Por falar em juventude, fico muito triste e decepcionada com uma entidade que em sua história já encampou várias lutas em prol dos estudantes e do povo maranhense (meia passagem, contra a Ditadura Militar, etc.) e por onde vários nomes que construíram e constroem a política maranhense já passaram, que é a UMES de São Luís. Esta entidade, que se posicionou “em nome do movimento estudantil maranhense”, deixa de lado toda a sua história ao defender a família Sarney e seus interesses.


Eu sou uma daquelas defensoras que acredita que não existe um nome, mas vários nomes e entidades que constroem o movimento estudantil. Assim como, que cada um fale por si próprio, tire suas próprias conclusões e tenha suas próprias opiniões (e isto é o que mais queremos!). Claro (e óbvio!) que a UMES de São Luís não realizou nenhuma assembléia com os estudantes secundaristas para tomar tal decisão.


Bom, mas por eu ser uma militante do movimento estudantil, que não se sentiu contemplada pelas declarações daquela entidade, e que representa uma entidade de representação nacional, que é a União Nacional dos Estudantes (UNE), venho aqui dizer que no último Conselho Nacional de Entidades de Base (CONEG) que a UNE realizou na cidade de São Paulo, nos últimos 21 e 22 de março, aprovamos em Plenária Final uma moção de repúdio ao TSE, nos seguintes ditos: Moção de repúdio Repúdio a decisão do TSE que tenta derrubar o governo de Jackson Lago, num golpe à vontade soberana do povo do Maranhão.


Por fim, entendo que toda a sociedade precisa se posicionar. Estamos numa encruzilhada, onde podemos avançar num projeto popular para o Estado ou retrocedemos para um projeto arcaico e coronelista. Decidimos democraticamente o que queríamos para o Estado.


Devemos agora, exercer nossa democracia participativa e nos manifestar pelo respeito à vontade do povo maranhense. Nós somos sujeitos do nosso destino e não meros espectadores.


São Luís, 16 de abril de 2009.


* Thalita Martins é Diretora de Extensão Universitária da UNE e Coordenadora Geral do DCE da UFMA.

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